Uma história de recomeço contada por quem viveu cada etapa — do diagnóstico difícil à primeira vez que voltou a fazer xixi depois de anos.
"Eu vinha com alguns sintomas e ninguém descobria o que eu tinha"
Meu nome é Franciele, tenho 40 anos. Fiquei cerca de três anos na máquina de hemodiálise e, quando esta história foi escrita, fazia três meses que eu havia recebido meu novo rim.
Tudo começou quando eu tinha 36 anos. Ao longo de uns seis, sete meses, comecei a notar um inchaço nas pernas e nos braços. Passei por vários médicos — inclusive uma reumatologista — e ninguém conseguia chegar a um diagnóstico. Era um período de incerteza, de exames e de nenhuma resposta.
Até que um dia eu passei muito mal. Fui ao pronto-socorro, fizeram exames de sangue e eu voltei para casa. Na manhã seguinte, acordei com falta de ar e tossi uma bola de sangue. Voltei ao hospital com os exames em mãos. O médico olhou os resultados e me internou imediatamente.
Começou ali a investigação para descobrir o que realmente estava acontecendo. A médica chegou e disse: "Fran, vamos te levar para a UTI para te acompanhar mais de perto." Foi quando a equipe da Renalclin realizou uma biópsia do rim — e o resultado veio: síndrome de Wegener, uma doença autoimune.
40 dias na UTI e um prognóstico de 24 horas
Fiquei 40 dias na UTI, sendo 10 deles entubada. A doença chegou muito rápido e agressiva: atacou o rim e o pulmão. Os médicos já não me davam mais vida.
Quando o resultado saiu, o médico chamou meu esposo e disse que não havia mais o que fazer — que já tinha feito tudo o que estava ao seu alcance. Ele me deu 24 horas de vida e explicou que, se eu não voltasse, infelizmente as máquinas teriam que ser desligadas.
Mas Deus foi maior. No dia seguinte, eu voltei. Estava melhor, e a equipe havia me colocado de barriga para baixo para que eu conseguisse respirar com mais facilidade. Desci para o quarto. Era 23 de dezembro. Olhei para a Dra. Gizele e pedi: "Pelo amor de Deus, eu preciso ir para a minha casa." Ela autorizou — mas com uma condição: eu levaria o telefone dela e, se acontecesse qualquer coisa, deveria ligar imediatamente.
Seis meses sem diálise e o rim que parou aos poucos
Fiquei seis meses sem dialisar. O pulmão voltou a 99%. O rim, porém, parecia querer voltar — mas não voltou. Fiz fisioterapia, porque quando fui para casa eu não andava. Toda semana fazia exames para acompanhar a função renal, e o rim foi "morrendo, morrendo", até que não houve mais o que fazer. Tive que voltar para a máquina.
Na consulta na Renalclin, conversei com a Solange, que me explicou tudo com calma e perguntou se eu preferia fazer a diálise em casa ou na clínica. Escolhi a máquina, na clínica. E foi assim que passei os três anos seguintes — sempre bem acompanhada pela equipe.
A fila do transplante e os obstáculos pelo caminho
Comecei os exames para entrar na fila do transplante. Deu tudo certo, e entrei. Meus dois irmãos também fizeram os exames para serem doadores.
O irmão apresentou gordura no fígado e não pôde doar. A irmã estava com pedra na vesícula e precisaria retirar e se recuperar antes de qualquer coisa. Nesse meio-tempo, descobri um nódulo entre o rim e o fígado, que também precisava ser retirado. Foram vários obstáculos até que, finalmente, minha irmã estivesse apta a doar.
Faltava muito pouco para marcarem o transplante quando recebi um telefonema do hospital de Curitiba: haviam encontrado um rim compatível com o meu. Perguntaram se eu poderia estar no hospital às sete da manhã do dia seguinte. Perguntaram também se eu preferia fazer a última diálise em Cascavel ou no hospital em Curitiba — e eu preferi onde já estava acostumada, onde tinha intimidade e confiança: na Renalclin. Naquele momento, eu estava em quinto lugar na fila.
O dia do transplante
Logo após a diálise na Renalclin, peguei a estrada rumo à capital e cheguei às 21h. Fiz os exames necessários para estar apta à cirurgia — como o eletrocardiograma — e fui para a internação. Pouco depois, a enfermeira veio avisar: sim, o rim seria meu.
Naquele dia, quatro pessoas foram transplantadas. Eu fui a terceira. A adrenalina apareceu, a pressão subiu, mas deu tudo certo. Entrei no centro cirúrgico por volta das 14h30 e cheguei à UTI às 20h. Lembro apenas de pedir para ver meu esposo, que havia me acompanhado.
Eu estava bem. Sem dor, sem nada. E a primeira coisa que perguntei foi se eu havia feito xixi — afinal, fazia alguns anos que isso não acontecia. Ele olhou na bolsa e viu que sim. Foi a maior alegria da minha vida. E eu disse: "Agora eu só vou tomar água, água, água."
Pós-transplante: creatinina de 14 para 0,75
A cirurgia foi um sucesso. Fiquei um dia e meio na UTI e depois fui para o quarto, onde permaneci por mais cinco dias. No primeiro mês, tive consulta todas as semanas para acompanhar de perto a evolução do novo rim.
O que mais chamou atenção foi a creatinina: estava em 14 quando me internei para o transplante e hoje está em 0,75.
Gratidão
Quero só agradecer à equipe da Renalclin, onde sempre fui muito bem atendida, bem acompanhada e bem assistida — em cada etapa, do diagnóstico ao pós-transplante.
Essa foi a história de como foi o transplante renal da Fran.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. A Renalclin é uma clínica de atendimento particular e de convênios, especializada em adultos e idosos.